Tentar a normalidade ou viver com receio?

Depois de um acidente, uma das grandes questões que assombra os acidentados é: vou tentar voltar à normalidade ou se nos aconteceu uma vez pode voltar a acontecer?…
Após regressar da hospitalização, passei um mês em recobro, incrédulo pelo acontecido, perdido num limbo de dores e pensamentos obscuros. Em Novembro, só comia sopa e não tinha apetite, perdendo muitos kgs e perdendo força e vontade. Sem quase me conseguir mexer passava dias a ver filmes, mas confesso que não me lembro nem um filme que tenha visto.
Em Dezembro, o aniversário do pequeno e a percepção que o meu estado de espírito influenciaria a sua vida, decidi mudar! Estar mais disposto e mais disponível, por mim e por ele! Comecei a sair de casa e caminhar um pouco. Houve três factores importantes: o aniversário do pequeno; o começar a comer papas porque o médico estava preocupado com peso e fraqueza; e liberdade médica para começar a fazer alguns exercícios. Comprei um rolo e não tinha força para mais 15min a pedalar em casa. Valeu os doces do Natal para recuperar .
Ano Novo e tenho alta médica para ir testando a bicicleta e ver as dores. Correr estava fora de questão! E aqui surge a grande dúvida: voltar à actividade física que originou esta situação?
Acidentes acontecem! Ouvi opiniões de amigos e familiares, sobre o lado positivo e o lado negativo. Optei por voltar a andar de bicicleta, com algumas condições e condicionantes. Acabou andar durante a semana (manhã cedo ou fim dia) e fim semana só com companhia nunca sozinho. E volta outra dúvida, tento participar na prova que estava inscrito desde Agosto do ano anterior?
Algarve Bike Challenge é uma prova BTT em dupla mas muito exigente. O meu parceiro Luis Eugénio ficou um pouco perdido com a situação do acidente, mas decide apoiar e animar-me a ir com ele na mesma.
Janeiro começa o desafio de voltar aos treinos para a prova. Com muitas limitações mas vou encontrando soluções: as dores no corpo, a impossibilidade de mastigar barras energéticas, etc… O corpo foi melhorando com o exercício.
Em Fevereiro fiz os treinos mais longos, acompanhado pelos médicos, fisioterapia, nutricionista Marisa Estêvão e Eden Fit Gym, consegui ir ultrapassando os obstáculos.
Em Março vem o evento e a ansiedade é a maior que alguma vez tive na vida. Mas tinha três objectivos:
1. Não cair!
2. Divertir-me!
3. Chegar ao fim!
Não preocupado com resultados, dei o máximo os 3 dias de prova. E não foi mau de todo, em mais de 800 participantes, conseguimos a 58ª posição. Um prémio pessoal pelo sofrimento dos últimos meses e para os próximos meses que ainda tenho pela frente. Porque ainda tenho um longo processo na recuperação da força e mobilidade do braço esquerdo (lado da clavícula partida), mas principalmente no maxilar, dentição, sensibilidade dos lábios e ter uma alimentação normal.
A minha “vitória” existe porque houve pessoas que cuidaram de mim, que se preocuparam, ajudaram, alertaram dos perigos e animaram. Obrigado a tod@s!

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